Vice-presidente afirma que o Brasil não pretende reagir de imediato às tarifas impostas pelos Estados Unidos e diz que prioridade do governo é negociar, abrir novos mercados e proteger os setores exportadores.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (21) que o governo brasileiro não pretende retaliar os Estados Unidos após a decisão de Washington de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A sobretaxa passa a valer nesta quarta-feira (22), aumentando a tensão nas relações comerciais entre os dois países.
Após uma série de reuniões com representantes dos setores produtivos afetados pela medida, Alckmin reforçou que a estratégia do governo será priorizar o diálogo. Ao comentar a possibilidade de aplicação da Lei da Reciprocidade Comercial, recentemente aprovada pelo Congresso, ele ressaltou que o instrumento não deve ser utilizado como uma resposta automática às ações americanas.
“A ideia não é retaliação. Olho por olho, pode acontecer de os dois ficarem cegos”, declarou o vice-presidente ao defender que a negociação continua sendo o melhor caminho.
A Lei da Reciprocidade autoriza o Brasil a adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustificadas aos produtos brasileiros. Apesar disso, Alckmin afirmou que a legislação permanece como uma alternativa disponível, mas somente será utilizada caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considere necessário.
Além das negociações diplomáticas, o governo trabalha em outras frentes para reduzir os impactos econômicos da decisão norte-americana. Entre elas estão a busca por novos mercados internacionais para absorver parte da produção brasileira e a elaboração de medidas de apoio às empresas exportadoras que poderão sofrer perdas com a nova tarifa.
As conversas desta terça-feira reuniram representantes de diversos segmentos da economia nacional, que demonstraram preocupação com os efeitos da sobretaxa sobre a competitividade dos produtos brasileiros. Para muitas empresas, o mercado americano representa um dos principais destinos das exportações, e o aumento dos custos pode reduzir vendas, investimentos e empregos.
Segundo Alckmin, o objetivo é manter um canal permanente de diálogo com o governo dos Estados Unidos para tentar reverter ou minimizar os efeitos da medida. Paralelamente, o Ministério do Desenvolvimento continuará acompanhando os impactos em cada setor da economia para definir eventuais ações de suporte.
A decisão dos Estados Unidos marca mais um capítulo da crescente tensão comercial entre Brasília e Washington. Embora o Brasil tenha agora respaldo legal para adotar medidas recíprocas, a sinalização do governo é de que a prioridade continuará sendo evitar uma guerra comercial que possa prejudicar empresas, consumidores e a economia dos dois países.
Crédito: MDIC (Foto)